Esse trabalho foi exigido pelo professor Gian Carlo, responsável pela disciplina de História II, no qual tem como objetivo contar a história da rua onde moro. Para a realização desse texto utilizei dois tipos de fontes para a minha pesquisa, foram: as fotos e a entrevista com uma moradora antiga da rua
Em 1990 foi descoberta uma área verde nas proximidades do complexo Benedito Bentes, esta área era projetada para construção de um conjunto habitacional, mas aos poucos ela foi sendo invadida pela população de classe econômica e social baixa que não tinha moradia própria, a medida que as pessoas iam descobrindo o local, invadiam e construíam suas moradias, algumas moradias foram feitas de lona e outras de taipas. A entrevistada relata que quando chegou para morar nesta localidade em 1991, não existiam as ruas definidas e o local ainda estava sendo povoado, após sua chegada foi que apareceu uma firma com o nome de OAS para fazer a terraplanagem, a partir daí é que todas as ruas foram definidas, a medida que eles iam planeando um local, iam aterrando outros. Com as ruas definidas os próprios moradores quem foram colocando os nome em suas devidas ruas, a rua na qual eu moro hoje, possuía em torno de umas 8 casas quando esta moradora chegou para habitar, ela e outros vizinhos se reuniram para colocar uma placa com o nome da rua “São Lucas”, porém, já exitia: rua São Francisco, que está situada no Alto da Alegria, o qual recebeu este nome, por causa da grota da Alegria que já existia ao seu redor.
No ano de 1995, esta mesma firma citada a cima, fez os calçamentos de todas as ruas, que até então eram todas no barro, como também murou a área reservada para futuramente construírem o conjunto habitacional, dividindo assim, a área verde da área privada. Com a união dos moradores junto ao MCL (Movimento das Comissões de Lutas) reivindicaram por água encanada, pois as pessoas não tinham acesso a água e pegavam água na grota para seu uso diário; também lutavam por energia, uma vez que a única luz era de vela e candieiro. Depois de muito lutar conseguiram um chafariz que era utilizado por toda a população, porém mesmo com a conquista desse chafariz, ainda assim não resolveu o problema, pois a demanda de pessoas necessitando de água era grande e muitas pessoas continuaram carregando água da grota. Mesmo após essa conquista dos moradores, a luta não parou, esse movimento continuou reivindicando por energia, saneamento básico, linha telefônica e telefones públicos nesta comunidade. Por meio de muito esforço da população, enfim conseguiu o acesso a energia, a CEAL montou um posto, aonde os moradores iam se cadastrar e eles colocavam energia nas casas com os materiais deles e ficavam descontando mensalmente durante doze meses o valor dos materiais nos talões de energia das pessoas. Assim como a energia, outras conquistas foram alcançadas, como a linha telefônica e os telefones públicos distribuídos em cada rua. No entanto, o tempo ia passando e o problema da água não era resolvido, e a água do chafariz ficando cada vez mais insuficiente para suprir toda a população que aumentava mais ainda. Desta forma os moradores se reuniram e decidiram colocar água por conta própria nas suas ruas, então em uma das reuniões dos moradores, estes decidiram que iriam de casa em casa pedindo dinheiro para comprar materiais para fazerem o encanamento da água, e assim aconteceu, compraram os materiais com a ajuda da população e os próprios moradores se juntaram, cavaram as ruas e fizeram a encanação, a partir daí todos passaram a ter água encanada em suas próprias residências.
Ainda fazendo parte dessa longa caminhada de luta pelo bem da comunidade, conseguiram o primeiro integração de ônibus da linha do Henrique Equelma passando nesta rua, após a construção do terminal integrado do Benedito Bentes, outro ônibus começou a passar nesta rua que foi o ônibus Benedito Bentes – Alto da Alegria, o que facilitou muito a vida dos trabalhadores desta rua, que necessitavam de um transporte, pois esta rua fica longe da principal, uma vez que é a última rua da comunidade, ela fica no final. Conseguimos também carteiros passando na nossa porta e o carro do lixo que também entra em nossa rua.
Minha rua é composta em grande maioria de casas residenciais tendo como proprietários, pessoas de uma classe econômica baixa, tendo quase metade dos moradores desempregados e sem escolarização, embora existam pessoas que tem condições financeiras melhores, que são proprietários de negócios e possuem automóveis. Mesmo grande parte das pessoas sendo os donos das próprias casas, existe muitas que moram nesta rua em casa de aluguel. Voltando ao tempo podemos perceber as várias mudanças que ocorreram nesta rua, tanto em relação às residências como em relação aos moradores, pois do início da história dessa rua são poucas pessoas que ainda continuam morando nessa nela. Finalizando, vale salientar aqui que nem todas as conquistas foram alcançadas, pois ainda não conseguimos saneamento para nossa rua e nem linha de ônibus própria, existe apenas a linha do Henrique Equelma que faz via aqui nesta rua.
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